Anonymous asked:

moças estão sendo aceitas? Da Slytherin? Formadas também? Se eu quiser fazer uma professora ela pode ser professora de que?

Sim, sim e sim. Pode ser professora de Duelos, Aritmância, Arte, Xilomancia, pode ser instrutora de vôo e pode até liderar a orquestra, it’s up to you.

Anonymous asked:

Vocês tem a Marlene McKinnon? E a Lucinda Talkalot?

Sim, temos as duas personagens, anon.





Kristoff Pirilimpov Belahov | Former Slytherin | Pureblood 
“You hold the answers deep within your own mind. Consciously, you’ve forgotten it. That’s the way the human mind works. Whenever something is too unpleasant, to shameful for us to entertain, we reject it. We erase it from our memories. But the imprint is always there.”
Nacionalidade: Russa.
Varinha: Vinte e nove centímetros da madeira do escalheiro inflexível, com corda de coração de dragão em seu interior. Complexa e intrigante por natureza, assim como o melhor dono para ela. Varinhas de Escalheiro podem ser particularmente adequadas para feitiços de cura, mas também se adequam a maldições. Geralmente varinhas dessa madeira parecem se adequar mais com uma natureza conflituosa, ou com um bruxo que esteja passando por um período de turbulência. Escalheiro não é facilmente dominado. Varinhas de Escalheiro possuem uma peculiaridade notável: seus feitiços podem, quando mal feitos, voltar contra o dono.
Patrono: Não-corpóreo.
Ocupação: Herdeiro da empresa de tabaco.
History and Personality
Eventos embaralhados, dos quais não era capaz de dizer se foram reais ou não flutuavam em sua mente quando pensava nos primeiros anos de vida. Certezas, portanto, eram tidas somente quando ditas por terceiros.1. Sabia que Gaia, sua irmã gêmea, nascera poucos minutos antes de ele próprio vir ao mundo. 2. Deduziu que era muito mais apegado à mãe do que ao pai. 3. Ouvira dizer que fora uma criança muito quieta durante a maior parte do tempo.Não fazia ideia de como começou.(Kristoff nasceu no Outono de 1950.Akim nasceu no Verão de 1957.Adrik nasceu no Inverno de 1961.)Foi na Primavera que as coisas deixaram de fazer sentido.Não conseguia se mexer. Abriu os olhos não percebendo mais do que vultos e sombras em sua volta. Muito perto.“Ele acordou.” Anunciaram. Tentou dizer alguma coisa, chamar alguém, mas a tentativa mostrou-se ineficaz quando nenhum som saiu através da sua garganta.“Quem é você agora?” Outra voz indagou. Uma voz conhecida a ponto de tornar aquela questão ridícula.Deviam deixar de perguntar. Deviam esclarecer.Piscou algumas vezes percebendo-se dentro do próprio quarto. A janela grande aberta, mostrando flores nas árvores cobertas de neve na última vez que lembrava ter visto.“Filho?” A voz de sua mãe sobressaiu a dos outros. Por que havia tantas pessoas ali?O Inverno tinha sido ontem.Yulia, Russell e alguém cuja identidade desconhecia o observavam num misto de curiosidade e medo. Os outros se afastaram.“O que houve?” Conseguiu dizer, pigarreando logo em seguida. Parecia que não ingeria líquido algum há dias.Sua mãe olhou para o pai aparentando confusão. “Você não se lembra?”Nascido na cidade federal russa St. Petesburg sob uma alcunha cujo respeito não se limitava somente ao país de origem, mas também por todo o território bruxo conhecido, Kristoff possuía todas as exigências para se tornar um grande e poderoso bruxo. Algo aconteceu, contudo, ainda na sua infância, causando uma enorme mudança na vida do único filho homem de Russel Belahov.Não era preciso passar muito tempo observando os gêmeos - ainda novos demais para serem capazes de formarem palavras coerentes - para perceber que, apesar de terem criado um laço que poucos possuem antes mesmo de nascerem, existia grande dessemelhança em seus modos de agir. Enquanto Gaia era enérgica, Kristoff mantinha-se retraído. O contraste não impediu que a irmã fosse a pessoa mais especial que conheceria, em sua opinião.Para grande parte das crianças que nascem e crescem em um lar onde a magia faz parte de suas rotinas, a primeira manifestação é muito aguardada. Frequentemente despertada em momentos de raiva, ainda assim é muito bem vinda. No caso de Kristoff, quem não aguardava com tanta ansiedade quanto julgado normal, o garotinho de seis anos descobriu-se como um bruxo de maneira totalmente diferente. Foi através do medo. Da incompetência.“Papa não permite que eu saia dos terrenos.” Havia receio tanto no tom de sua voz quanto no olhar que capturava tudo a sua volta.“Ele não precisa saber, Kristoff.” O irmão mais novo de Russel, rebateu sugestivamente.“Tudo bem.” Segurava a mão do tio com força, apertando-a sempre que assustava com algum som que insistia em segui-los por todo o caminho.Preferiu não argumentar mais. Queria que Gaia estivesse ali com ele.Andrei, que passava as férias de verão com a família, aparatou carregando o sobrinho para um lugar onde ele nunca esteve. Uma casa pequena, muito diferente da sua, fora invadida pelo mais velho que o puxava com insistência. Ele vestiu-se com uma máscara negra.Uma mulher nua, inapta de se movimentar olhava para o adolescente com medo refletido nas íris castanhas. Não era a primeira vez que o via. Kris não fazia ideia do que estava acontecendo ou o que aconteceria. Daria qualquer coisa para livrar a prisioneira daquele lugar imundo que se recusava a acreditar possuía algum envolvimento com a família.Outras pessoas mascaradas chegaram, e o rosto de Kris era o único que a mulher poderia ser capaz de reconhecer.Crucio. O irmão mais novo de Russel murmurou com a varinha apontada em direção ao peito da desconhecida. O rosto contorcendo-se em dor era uma das imagens que jamais sumiria da memória da criança.Fuja desse lugar, Kristoff.O grito horrorisado veio seguido de um barulho alto.“Cale a boca.”A voz possuía ódio. Um ódio gratuito simplesmente por conta das diferenças.Ela o obedeceu.O que veio em seguida foi uma sequência de crueldade que nenhuma criança, ou pessoa de qualquer idade, deveria ser obrigada a presenciar.O vermelho estava em todo lugar. Nas feridas abertas – e mantidas assim – desperdiçando o sangue impuro que parecia tanto com o seu ou com o de qualquer um outro. No chão que recebia o líquido viscoso em grandes quantidades. Nas mãos de Andrei, que fez questão de usar artifícios trouxas para torturá-la. Nos olhos e mente de Kristoff, de onde as imagens jamais sairiam.Pare com isso, pare com isso, pare com isso.Não era forte, não era grande, não podia fazer muito além de aguardar o fim da tortura e rezar a qualquer coisa poderosa para que impedisse o pior. Suas orações, contudo, foram ignoradas, e com a porta trancada às suas costas a primeira maldição imperdoável foi o menor dos barbarismos presenciados.Quatro horas. O feitiço usado para calar a vitima afogava todos presentes em um silêncio sepulcral interrompido somente pelas risadas repletas de prazer de alguns deles. Atormentador. A mulher não passava de uma espécie de massa desfalecida largada no chão como se fosse um animal deplorável. Kristoff sentia algo despertar em cada centímetro de suas veias. Andrei não pretendia matá-la com magia.Uma faca fora sacada de dentro das vestes do recém-formado. Tudo aconteceu muito rápido. Ao mesmo tempo em que a arma atravessava o peito despido, a magia involuntária manifestou-se com força derrubando o agressor sobre a mulher. Foi a essa hora que um grupo de pessoas rompeu o feitiço que impedia a entrada ali. Tudo ficou escuro.Kristoff acordou em seu quarto. Gaia o observava em um misto de curiosidade e preocupação.Os meses seguintes se passaram com um Kris incapaz de se comunicar ou fazer qualquer coisa além de passar as cenas vividas que se embaralhavam na mente marcada pelo trauma. Akim nascia. Ou se revelava.O incidente nunca foi comentado na mansão dos Belahov, mas isso não impediu que a criança crescesse com a memória dos olhos da mulher que nunca soube se sobrevivera ou não. Ainda assim, na medida do possível, o agora garoto seguia os costumes como todas as outras crianças de idade correspondente.Mudaram-se para a Inglaterra próximo ao décimo aniversário de Kris e Gaia, afastando-se se vez da cidade habitualmente fria e também de Andrei. A correspondência convidando-o a fazer parte da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts viera no mesmo dia que a irmã gêmea recebeu a sua, criando grandes expectativas nos irmãos russos.Hogwarts era como diziam, o lugar mais mágico que havia conhecido. Despercebido de suas próprias qualidades, se surpreendeu ao ser escolhido para fazer parte da casa representada pelas cores prateada e verde. A surpresa maior viera quando passou a interagir com outros colegas de casa, além da irmã gêmea que estava sempre por perto.Joseph foi o seu primeiro amigo. O Natal estava chegando, e consigo o medo de ter que encarar Andrei. Yulia estava grávida novamente. Kris queria confiar em alguém. Confiava em Gaia, e deveria ter permanecido assim. O rapaz três anos mais velho não concordava, porém. O primeiranista contou-lhe tudo.Kerr mostrou-se compreensivo. Kristoff, aliviado.O recesso de Natal chegou. A família Belahov passaria aqueles dias na antiga casa na Rússia. Andrei estaria presente. Mais velho, mais desumano. Manya havia nascido, e nada lhe parecia mais importante do que aquele novo ser.O irmão de seu pai ainda era capaz de distrair-lo.Após duas semanas na presença do tio, voltara para Hogwarts além do próprio limite. Ele o perturbava. Seu primeiro amigo estava diferente. Sentiu-se receoso em falar com ele novamente. A amizade não havia durado três meses.Joseph Kerr apreciava sorrisos. Gostava mais de provocar sorrisos. Provocar sorrisos enquanto humilhava alguém devia parecer-lhe tentador. Um prazer.“Eu tenho uma história, mas ela não me pertence.” Iniciou controlado no centro da sala comunal, conquistando toda atenção dos slytherin presentes. Kristoff não entendia o que estava acontecendo.“Nosso pequeno Kris tem um tio, não sei se vocês sabem. Ele não gosta dele. Por que mesmo, pirralho?” Algo dentro do foco dos olhares de todos congelou. Não podia acreditar que ele estava falando aquilo. Fechou os olhos. Não respondeu.A risada que Joe soltou era irreconhecível aos seus ouvidos. “Não vai nos dizer?” O aluno do quarto ano olhou para o mais novo inclinando a cabeça com uma expressão jocosa em seu rosto. Ele estava se divertindo, isso era evidente. “Acho que serei obrigado a contar, então.” Deu de ombros fingindo uma leve decepção.E ele contou. Contou cada detalhe a respeito da noite em que vira uma mulher ser despedaçada diante dos seus olhos, do medo que o dominou todos os meses depois do ocorrido, falou sobre Andrei. Sobre todos os fantasmas que o perseguia desde que se lembrava. Joe parecia ter gravado cada ínfimo detalhe do que ouvira.Todos riam. E ouvindo sua própria história através de Joseph Kerr, passou a acreditar que era tudo absolutamente ridículo.De todo modo, Kristoff se sentia voltando para o cômodo que guardava a mulher cujo nome nunca soube ou procurou saber. Algo havia mudado antes de o aluno do primeiro ano ignorar todos os risos que ecoavam em sua volta e caminhar com uma calma atípica até o seu dormitório.Escondido sob o acortinado de sua cama, o misto de emoções sentidas diante de seus colegas de casa se dissiparam. Sumiram como o chão sob a neve do Inverno russo. Como se nunca tivessem existido. Ele não se importava.Esse Kris era um Kris diferente. Um Kris frio, impassível. Não era Kris. Era Adrik.E a função de Adrik sempre foi protegê-lo. Por isso, ele deixou de se lembrar.Não foi difícil ser apenas Kristoff nos anos seguintes dentro da instituição de ensino. Akim e Adrik, que sequer tinham sido nomeados até então, jamais apareceram. E se houvessem aparecido em algum momento isolado, Kristoff não faria ideia. Ele não os conhecia. Eles não queriam que ele soubesse.As coisas pareciam sob controle para o agora setimanista, e se ver prestes a se formar era algo que o surpreendia de alguma maneira. As notas das provas finais acima da média e o curioso talento em Poções orgulhou o pai que agora tinha o que esperar do filho. Quem sabe ele não pudesse seguir os seus passos e dar continuação ao legado dos Belahov, assumindo empresa bruxa de produção e exportação de tabaco?A ideia concretizou-se poucos meses após o recém-formado deixar a instituição. Com um bom currículo, emprego garantido e um futuro promissor, o rapaz dos Belahov estava mais do que preparado para dar segmento ao sobrenome da família. Precisava de uma noiva.Mia estudou em Durmstrang. Era um ano e meio mais nova do que Kris e Gaia. Kristoff nunca tinha visto qualquer membro da família Vodianov antes do jantar promovido pelos pais de ambos.Foi ainda nas férias após a formatura que o futuro casal se encontrou pela primeira vez. Nenhum deles parecia nervoso, mas era possível enxergar a tristeza nos olhos azuis intensos da garota.Casamentos arranjados estavam longe de ser uma preocupação na vida de Kristoff. Pelo contrário, o rapaz cresceu ciente de que isso, um dia, aconteceria. Mia Voadinova não parecia concordar com o pensamento.O noivado, no entanto, fora consumado através de uma bela festa no jardim da mansão Belahov dois anos depois. Andrei estava presente, Kris mal percebera. Estava apaixonado.Se estivesse mais atento ao seu redor e aos planos da família, notaria que havia algo de errado.“Preciso que você venha comigo para um lugar.”Sabendo não ter escolha, seguiu o tio até a área destinada a aparatação da casa. Em um piscar de olhos, viu-se diante de um jardim bem cuidado que decorava o exterior de uma casa barulhenta. Outras pessoas apareceram em seguida, e Kristoff vira as máscaras mais uma vez. Ele ainda não tinha a sua.Mesmo com quase vinte anos, sentia-se como se tivesse seis novamente. O mesmo medo que o dominou naquela época surgindo na boca de seu estômago.Andrei caminhou em direção à entrada da casa, sendo seguido pelos desconhecidos mascarados e um Kris deveras receoso.Era a mesma mulher. Um pouco mais velha. Acompanhada de uma criança não tão mais velha do que ele próprio quando a vira pela primeira vez. Vieram concluir o trabalho interrompido.O rapaz olhou para o garoto, capturando aquele mesmo temor que sentia em ses olhos. Antes que pudesse tomar alguma atitude para tirá-lo dali e poupar-lhe de qualquer atrocidade que viesse a acontecer, Andrei apontou a varinha na direção da mulher.“Creio que temos algumas pendências.” O tio iniciou ao mesmo tempo em que a mulher protegia o filho, colocando-o atrás de si.“Não tenha medo, tenho pressa. Não quero cometer o mesmo erro que o anterior.” A magia seria usada dessa vez. “Será indolor.” Mesmo que o sorriso não fosse visto, a voz denunciava um possível sorriso moldando os lábios finos do homem.“Não machuque meu filho.” O tom, diferente do que qualquer um poderia ter imaginado, era carregado de força e coragem. Kristoff sabia que não havia muito que fazer, já que a mulher não era uma bruxa como eles. Esse era o motivo, afinal. Ela não ser uma bruxa.Não queria participar daquilo, não queria assistir aquilo sem fazer nada para ajudá-la. De novo. Não teria a menor chance contra todos eles. As mãos espalmaram as laterais do rosto, os olhos se fecharam. Virou-se de costas. Ia sair dali.“Kristoff, não.”A atenção de Andrei nunca deixou a mulher, Kristoff manteve-se estático.Avada Kedavra. Havia aberto os olhos.O raio atravessou o corpo feminino, derrubando-a instantaneamente.Essa foi a primeira vez que Akim e Adrik disputaram espaço com Kristoff.(Kris, Akim e Adrik se separaram no Outono de 1975.)Mia era uma mulher genuína; genuinamente bela, genuinamente educada, genuinamente obediente, genuinamente triste.Não foi muito trabalhoso perceber que existia algo de errado no comportamento da jovem sempre pensativa. Os sorrisos dela nunca chegavam aos olhos. O que Kristoff, nem qualquer pessoa próxima sabia, era que o segredo dela influenciaria no futuro de todos.A razão de toda a tristeza que se espalhava nas íris azuis de Mia chamava-se Galahad.Desde seus anos em Hogwarts, Galahad era uma das únicas pessoas que Kristoff poderia referir-se como amigo. A amizade, uma das únicas do rapaz, estendeu-se para fora dá instituição de ensino e perpetuou-se quando ainda eram muito jovens.A confiança declarada entre os dois revelou a razão de toda a tristeza de Mia. Com tantas suposições, Kris sequer considerou que a amada estivesse apaixonada por seu melhor amigo.O choque do Belahov não se aproximou ao da noiva do Hit Wizard. E nenhuma atitude seria tão premeditada quanto a da Vodianova.Mia estava morta, vítima da própria depressão. Galahad, novamente solteiro. Blodwen, sem o filho que esperava com tanta ansiedade.Kristoff estava fora.O coma persistiu durante três meses. Muitos já não depositavam esperanças em sua recuperação. Outros se perguntavam se o trauma de assistir a noiva se envenenando era grande o suficiente para levá-lo também. Ele abriu os olhos como se despertasse de um sono pesado.E como sempre, ele não se lembrava de nada.(Akim: Linda luz; consagrado.)Ele era bondoso, calmo. Tratava bem a todos. Reconhecia Gaia, Manya, seus pais, Galahad e possuía imenso respeito para com todos. Era uma porcelana fina e frágil, que poderia despedaçar diante do menor toque. Ou queda.(Adrik: Escuridão; trevas.)Este, por sua vez, era sério, frio, fechado. Não se aproximava de ninguém, não sorria. Todos pareciam temê-lo desde o início, e ele não se importava. Enquanto Akim era a porcelana, Adrik era o aço forte capaz de suportar qualquer coisa. Adrik tomou o seu lugar sem permissão, disputando com Akim a dominância. Não sabiam quem era Kristoff, mas um deles ainda respondia por esse nome.“Quem é você agora?”A pergunta ainda martelava sua mente. Dizer “Kristoff é claro” era o óbvio. Deveria ser fácil, mas não era. Sua mente estava vazia, oca, e a última coisa de que se lembrava era sua ida até a casa de sua noiva. Procurou a morena entre os rostos que o velavam – em sua maioria desconhecidos –, mas não teve sucesso no intento.“Como você se sente?”“Bem, obrigado.”Algumas pessoas se retiraram, ficando somente Yulia e Russel com o filho. Kristoff procurou pela mão da mulher, que a apertou sem cerimônias.Ficaram em silêncio durante alguns minutos, sufocando a todos no quarto largo e devidamente ventilado.“Quem é você agora, filho?” Russel indagou com uma ponta de desespero na voz.“Quem eu deveria ser?” Rebateu com outra pergunta. “Quem é você?” Insistiu o patriarca, se mostrando tão perdido quanto o filho.Yulia permanecia calada, deixando em seu olhar a reprovação diante do questionamento.Kristoff se sentou sentindo uma pequena pontada nas costas, denunciando o longo tempo que ficara numa mesma posição.“Eu não sei, papa.”
Player: Laís.
Kristoff Pirilimpov Belahov | Former Slytherin | Pureblood 

“You hold the answers deep within your own mind. Consciously, you’ve forgotten it. That’s the way the human mind works. Whenever something is too unpleasant, to shameful for us to entertain, we reject it. We erase it from our memories. But the imprint is always there.”

Nacionalidade: Russa.

Varinha: Vinte e nove centímetros da madeira do escalheiro inflexível, com corda de coração de dragão em seu interior. Complexa e intrigante por natureza, assim como o melhor dono para ela. Varinhas de Escalheiro podem ser particularmente adequadas para feitiços de cura, mas também se adequam a maldições. Geralmente varinhas dessa madeira parecem se adequar mais com uma natureza conflituosa, ou com um bruxo que esteja passando por um período de turbulência. Escalheiro não é facilmente dominado. Varinhas de Escalheiro possuem uma peculiaridade notável: seus feitiços podem, quando mal feitos, voltar contra o dono.

Patrono: Não-corpóreo.

Ocupação: Herdeiro da empresa de tabaco.

History and Personality

Eventos embaralhados, dos quais não era capaz de dizer se foram reais ou não flutuavam em sua mente quando pensava nos primeiros anos de vida. Certezas, portanto, eram tidas somente quando ditas por terceiros.
1. Sabia que Gaia, sua irmã gêmea, nascera poucos minutos antes de ele próprio vir ao mundo. 2. Deduziu que era muito mais apegado à mãe do que ao pai. 3. Ouvira dizer que fora uma criança muito quieta durante a maior parte do tempo.
Não fazia ideia de como começou.
(Kristoff nasceu no Outono de 1950.
Akim nasceu no Verão de 1957.
Adrik nasceu no Inverno de 1961.)
Foi na Primavera que as coisas deixaram de fazer sentido.
Não conseguia se mexer. Abriu os olhos não percebendo mais do que vultos e sombras em sua volta. Muito perto.
“Ele acordou.” Anunciaram. Tentou dizer alguma coisa, chamar alguém, mas a tentativa mostrou-se ineficaz quando nenhum som saiu através da sua garganta.
“Quem é você agora?” Outra voz indagou. Uma voz conhecida a ponto de tornar aquela questão ridícula.
Deviam deixar de perguntar. Deviam esclarecer.
Piscou algumas vezes percebendo-se dentro do próprio quarto. A janela grande aberta, mostrando flores nas árvores cobertas de neve na última vez que lembrava ter visto.
“Filho?” A voz de sua mãe sobressaiu a dos outros. Por que havia tantas pessoas ali?
O Inverno tinha sido ontem.
Yulia, Russell e alguém cuja identidade desconhecia o observavam num misto de curiosidade e medo. Os outros se afastaram.
“O que houve?” Conseguiu dizer, pigarreando logo em seguida. Parecia que não ingeria líquido algum há dias.
Sua mãe olhou para o pai aparentando confusão. “Você não se lembra?”
Nascido na cidade federal russa St. Petesburg sob uma alcunha cujo respeito não se limitava somente ao país de origem, mas também por todo o território bruxo conhecido, Kristoff possuía todas as exigências para se tornar um grande e poderoso bruxo. Algo aconteceu, contudo, ainda na sua infância, causando uma enorme mudança na vida do único filho homem de Russel Belahov.
Não era preciso passar muito tempo observando os gêmeos - ainda novos demais para serem capazes de formarem palavras coerentes - para perceber que, apesar de terem criado um laço que poucos possuem antes mesmo de nascerem, existia grande dessemelhança em seus modos de agir. Enquanto Gaia era enérgica, Kristoff mantinha-se retraído. O contraste não impediu que a irmã fosse a pessoa mais especial que conheceria, em sua opinião.
Para grande parte das crianças que nascem e crescem em um lar onde a magia faz parte de suas rotinas, a primeira manifestação é muito aguardada. Frequentemente despertada em momentos de raiva, ainda assim é muito bem vinda. No caso de Kristoff, quem não aguardava com tanta ansiedade quanto julgado normal, o garotinho de seis anos descobriu-se como um bruxo de maneira totalmente diferente. Foi através do medo. Da incompetência.
“Papa não permite que eu saia dos terrenos.” Havia receio tanto no tom de sua voz quanto no olhar que capturava tudo a sua volta.
“Ele não precisa saber, Kristoff.” O irmão mais novo de Russel, rebateu sugestivamente.
“Tudo bem.” Segurava a mão do tio com força, apertando-a sempre que assustava com algum som que insistia em segui-los por todo o caminho.
Preferiu não argumentar mais. Queria que Gaia estivesse ali com ele.
Andrei, que passava as férias de verão com a família, aparatou carregando o sobrinho para um lugar onde ele nunca esteve. Uma casa pequena, muito diferente da sua, fora invadida pelo mais velho que o puxava com insistência. Ele vestiu-se com uma máscara negra.
Uma mulher nua, inapta de se movimentar olhava para o adolescente com medo refletido nas íris castanhas. Não era a primeira vez que o via. Kris não fazia ideia do que estava acontecendo ou o que aconteceria. Daria qualquer coisa para livrar a prisioneira daquele lugar imundo que se recusava a acreditar possuía algum envolvimento com a família.
Outras pessoas mascaradas chegaram, e o rosto de Kris era o único que a mulher poderia ser capaz de reconhecer.
Crucio. O irmão mais novo de Russel murmurou com a varinha apontada em direção ao peito da desconhecida. O rosto contorcendo-se em dor era uma das imagens que jamais sumiria da memória da criança.
Fuja desse lugar, Kristoff.
O grito horrorisado veio seguido de um barulho alto.
“Cale a boca.”
A voz possuía ódio. Um ódio gratuito simplesmente por conta das diferenças.
Ela o obedeceu.
O que veio em seguida foi uma sequência de crueldade que nenhuma criança, ou pessoa de qualquer idade, deveria ser obrigada a presenciar.
O vermelho estava em todo lugar. Nas feridas abertas – e mantidas assim – desperdiçando o sangue impuro que parecia tanto com o seu ou com o de qualquer um outro. No chão que recebia o líquido viscoso em grandes quantidades. Nas mãos de Andrei, que fez questão de usar artifícios trouxas para torturá-la. Nos olhos e mente de Kristoff, de onde as imagens jamais sairiam.
Pare com isso, pare com isso, pare com isso.
Não era forte, não era grande, não podia fazer muito além de aguardar o fim da tortura e rezar a qualquer coisa poderosa para que impedisse o pior. Suas orações, contudo, foram ignoradas, e com a porta trancada às suas costas a primeira maldição imperdoável foi o menor dos barbarismos presenciados.
Quatro horas. O feitiço usado para calar a vitima afogava todos presentes em um silêncio sepulcral interrompido somente pelas risadas repletas de prazer de alguns deles. Atormentador. A mulher não passava de uma espécie de massa desfalecida largada no chão como se fosse um animal deplorável. Kristoff sentia algo despertar em cada centímetro de suas veias. Andrei não pretendia matá-la com magia.
Uma faca fora sacada de dentro das vestes do recém-formado. Tudo aconteceu muito rápido. Ao mesmo tempo em que a arma atravessava o peito despido, a magia involuntária manifestou-se com força derrubando o agressor sobre a mulher. Foi a essa hora que um grupo de pessoas rompeu o feitiço que impedia a entrada ali. Tudo ficou escuro.
Kristoff acordou em seu quarto. Gaia o observava em um misto de curiosidade e preocupação.
Os meses seguintes se passaram com um Kris incapaz de se comunicar ou fazer qualquer coisa além de passar as cenas vividas que se embaralhavam na mente marcada pelo trauma. Akim nascia. Ou se revelava.
O incidente nunca foi comentado na mansão dos Belahov, mas isso não impediu que a criança crescesse com a memória dos olhos da mulher que nunca soube se sobrevivera ou não. Ainda assim, na medida do possível, o agora garoto seguia os costumes como todas as outras crianças de idade correspondente.
Mudaram-se para a Inglaterra próximo ao décimo aniversário de Kris e Gaia, afastando-se se vez da cidade habitualmente fria e também de Andrei. A correspondência convidando-o a fazer parte da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts viera no mesmo dia que a irmã gêmea recebeu a sua, criando grandes expectativas nos irmãos russos.
Hogwarts era como diziam, o lugar mais mágico que havia conhecido. Despercebido de suas próprias qualidades, se surpreendeu ao ser escolhido para fazer parte da casa representada pelas cores prateada e verde. A surpresa maior viera quando passou a interagir com outros colegas de casa, além da irmã gêmea que estava sempre por perto.
Joseph foi o seu primeiro amigo. O Natal estava chegando, e consigo o medo de ter que encarar Andrei. Yulia estava grávida novamente. Kris queria confiar em alguém. Confiava em Gaia, e deveria ter permanecido assim. O rapaz três anos mais velho não concordava, porém. O primeiranista contou-lhe tudo.
Kerr mostrou-se compreensivo. Kristoff, aliviado.
O recesso de Natal chegou. A família Belahov passaria aqueles dias na antiga casa na Rússia. Andrei estaria presente. Mais velho, mais desumano. Manya havia nascido, e nada lhe parecia mais importante do que aquele novo ser.
O irmão de seu pai ainda era capaz de distrair-lo.
Após duas semanas na presença do tio, voltara para Hogwarts além do próprio limite. Ele o perturbava. Seu primeiro amigo estava diferente. Sentiu-se receoso em falar com ele novamente. A amizade não havia durado três meses.
Joseph Kerr apreciava sorrisos. Gostava mais de provocar sorrisos. Provocar sorrisos enquanto humilhava alguém devia parecer-lhe tentador. Um prazer.
“Eu tenho uma história, mas ela não me pertence.” Iniciou controlado no centro da sala comunal, conquistando toda atenção dos slytherin presentes. Kristoff não entendia o que estava acontecendo.
“Nosso pequeno Kris tem um tio, não sei se vocês sabem. Ele não gosta dele. Por que mesmo, pirralho?” Algo dentro do foco dos olhares de todos congelou. Não podia acreditar que ele estava falando aquilo. Fechou os olhos. Não respondeu.
A risada que Joe soltou era irreconhecível aos seus ouvidos. “Não vai nos dizer?” O aluno do quarto ano olhou para o mais novo inclinando a cabeça com uma expressão jocosa em seu rosto. Ele estava se divertindo, isso era evidente. “Acho que serei obrigado a contar, então.” Deu de ombros fingindo uma leve decepção.
E ele contou. Contou cada detalhe a respeito da noite em que vira uma mulher ser despedaçada diante dos seus olhos, do medo que o dominou todos os meses depois do ocorrido, falou sobre Andrei. Sobre todos os fantasmas que o perseguia desde que se lembrava. Joe parecia ter gravado cada ínfimo detalhe do que ouvira.
Todos riam. E ouvindo sua própria história através de Joseph Kerr, passou a acreditar que era tudo absolutamente ridículo.
De todo modo, Kristoff se sentia voltando para o cômodo que guardava a mulher cujo nome nunca soube ou procurou saber. Algo havia mudado antes de o aluno do primeiro ano ignorar todos os risos que ecoavam em sua volta e caminhar com uma calma atípica até o seu dormitório.
Escondido sob o acortinado de sua cama, o misto de emoções sentidas diante de seus colegas de casa se dissiparam. Sumiram como o chão sob a neve do Inverno russo. Como se nunca tivessem existido. Ele não se importava.
Esse Kris era um Kris diferente. Um Kris frio, impassível. Não era Kris. Era Adrik.
E a função de Adrik sempre foi protegê-lo. Por isso, ele deixou de se lembrar.
Não foi difícil ser apenas Kristoff nos anos seguintes dentro da instituição de ensino. Akim e Adrik, que sequer tinham sido nomeados até então, jamais apareceram. E se houvessem aparecido em algum momento isolado, Kristoff não faria ideia. Ele não os conhecia. Eles não queriam que ele soubesse.
As coisas pareciam sob controle para o agora setimanista, e se ver prestes a se formar era algo que o surpreendia de alguma maneira. As notas das provas finais acima da média e o curioso talento em Poções orgulhou o pai que agora tinha o que esperar do filho. Quem sabe ele não pudesse seguir os seus passos e dar continuação ao legado dos Belahov, assumindo empresa bruxa de produção e exportação de tabaco?
A ideia concretizou-se poucos meses após o recém-formado deixar a instituição. Com um bom currículo, emprego garantido e um futuro promissor, o rapaz dos Belahov estava mais do que preparado para dar segmento ao sobrenome da família. Precisava de uma noiva.
Mia estudou em Durmstrang. Era um ano e meio mais nova do que Kris e Gaia. Kristoff nunca tinha visto qualquer membro da família Vodianov antes do jantar promovido pelos pais de ambos.
Foi ainda nas férias após a formatura que o futuro casal se encontrou pela primeira vez. Nenhum deles parecia nervoso, mas era possível enxergar a tristeza nos olhos azuis intensos da garota.
Casamentos arranjados estavam longe de ser uma preocupação na vida de Kristoff. Pelo contrário, o rapaz cresceu ciente de que isso, um dia, aconteceria. Mia Voadinova não parecia concordar com o pensamento.
O noivado, no entanto, fora consumado através de uma bela festa no jardim da mansão Belahov dois anos depois. Andrei estava presente, Kris mal percebera. Estava apaixonado.
Se estivesse mais atento ao seu redor e aos planos da família, notaria que havia algo de errado.
“Preciso que você venha comigo para um lugar.”
Sabendo não ter escolha, seguiu o tio até a área destinada a aparatação da casa. Em um piscar de olhos, viu-se diante de um jardim bem cuidado que decorava o exterior de uma casa barulhenta. Outras pessoas apareceram em seguida, e Kristoff vira as máscaras mais uma vez. Ele ainda não tinha a sua.
Mesmo com quase vinte anos, sentia-se como se tivesse seis novamente. O mesmo medo que o dominou naquela época surgindo na boca de seu estômago.
Andrei caminhou em direção à entrada da casa, sendo seguido pelos desconhecidos mascarados e um Kris deveras receoso.
Era a mesma mulher. Um pouco mais velha. Acompanhada de uma criança não tão mais velha do que ele próprio quando a vira pela primeira vez. Vieram concluir o trabalho interrompido.
O rapaz olhou para o garoto, capturando aquele mesmo temor que sentia em ses olhos. Antes que pudesse tomar alguma atitude para tirá-lo dali e poupar-lhe de qualquer atrocidade que viesse a acontecer, Andrei apontou a varinha na direção da mulher.
“Creio que temos algumas pendências.” O tio iniciou ao mesmo tempo em que a mulher protegia o filho, colocando-o atrás de si.
“Não tenha medo, tenho pressa. Não quero cometer o mesmo erro que o anterior.” A magia seria usada dessa vez. “Será indolor.” Mesmo que o sorriso não fosse visto, a voz denunciava um possível sorriso moldando os lábios finos do homem.
“Não machuque meu filho.” O tom, diferente do que qualquer um poderia ter imaginado, era carregado de força e coragem. Kristoff sabia que não havia muito que fazer, já que a mulher não era uma bruxa como eles. Esse era o motivo, afinal. Ela não ser uma bruxa.
Não queria participar daquilo, não queria assistir aquilo sem fazer nada para ajudá-la. De novo. Não teria a menor chance contra todos eles. As mãos espalmaram as laterais do rosto, os olhos se fecharam. Virou-se de costas. Ia sair dali.
“Kristoff, não.”
A atenção de Andrei nunca deixou a mulher, Kristoff manteve-se estático.
Avada Kedavra. Havia aberto os olhos.
O raio atravessou o corpo feminino, derrubando-a instantaneamente.
Essa foi a primeira vez que Akim e Adrik disputaram espaço com Kristoff.
(Kris, Akim e Adrik se separaram no Outono de 1975.)
Mia era uma mulher genuína; genuinamente bela, genuinamente educada, genuinamente obediente, genuinamente triste.
Não foi muito trabalhoso perceber que existia algo de errado no comportamento da jovem sempre pensativa. Os sorrisos dela nunca chegavam aos olhos. O que Kristoff, nem qualquer pessoa próxima sabia, era que o segredo dela influenciaria no futuro de todos.
A razão de toda a tristeza que se espalhava nas íris azuis de Mia chamava-se Galahad.
Desde seus anos em Hogwarts, Galahad era uma das únicas pessoas que Kristoff poderia referir-se como amigo. A amizade, uma das únicas do rapaz, estendeu-se para fora dá instituição de ensino e perpetuou-se quando ainda eram muito jovens.
A confiança declarada entre os dois revelou a razão de toda a tristeza de Mia. Com tantas suposições, Kris sequer considerou que a amada estivesse apaixonada por seu melhor amigo.
O choque do Belahov não se aproximou ao da noiva do Hit Wizard. E nenhuma atitude seria tão premeditada quanto a da Vodianova.
Mia estava morta, vítima da própria depressão. Galahad, novamente solteiro. Blodwen, sem o filho que esperava com tanta ansiedade.
Kristoff estava fora.
O coma persistiu durante três meses. Muitos já não depositavam esperanças em sua recuperação. Outros se perguntavam se o trauma de assistir a noiva se envenenando era grande o suficiente para levá-lo também. Ele abriu os olhos como se despertasse de um sono pesado.
E como sempre, ele não se lembrava de nada.
(Akim: Linda luz; consagrado.)
Ele era bondoso, calmo. Tratava bem a todos. Reconhecia Gaia, Manya, seus pais, Galahad e possuía imenso respeito para com todos. Era uma porcelana fina e frágil, que poderia despedaçar diante do menor toque. Ou queda.
(Adrik: Escuridão; trevas.)
Este, por sua vez, era sério, frio, fechado. Não se aproximava de ninguém, não sorria. Todos pareciam temê-lo desde o início, e ele não se importava. Enquanto Akim era a porcelana, Adrik era o aço forte capaz de suportar qualquer coisa.
Adrik tomou o seu lugar sem permissão, disputando com Akim a dominância. Não sabiam quem era Kristoff, mas um deles ainda respondia por esse nome.
“Quem é você agora?”
A pergunta ainda martelava sua mente. Dizer “Kristoff é claro” era o óbvio. Deveria ser fácil, mas não era.
 Sua mente estava vazia, oca, e a última coisa de que se lembrava era sua ida até a casa de sua noiva. Procurou a morena entre os rostos que o velavam – em sua maioria desconhecidos –, mas não teve sucesso no intento.
“Como você se sente?”
“Bem, obrigado.”
Algumas pessoas se retiraram, ficando somente Yulia e Russel com o filho. Kristoff procurou pela mão da mulher, que a apertou sem cerimônias.
Ficaram em silêncio durante alguns minutos, sufocando a todos no quarto largo e devidamente ventilado.
Quem é você agora, filho?” Russel indagou com uma ponta de desespero na voz.
“Quem eu deveria ser?” Rebateu com outra pergunta.
“Quem é você?” Insistiu o patriarca, se mostrando tão perdido quanto o filho.
Yulia permanecia calada, deixando em seu olhar a reprovação diante do questionamento.
Kristoff se sentou sentindo uma pequena pontada nas costas, denunciando o longo tempo que ficara numa mesma posição.
“Eu não sei, papa.”

Player: Laís.

Lavina Bulstrode-Wheeler | Former Hufflepuff | Pureblood
"My brother never thinks before he speaks. I have been taught to filter. He was taught to grow out, I was thought to grow in." 
Nacionalidade: Inglesa.
Varinha: Pêlo de unicórnio, salgueiro, 33cm. As varinhas de salgueiro tem um poder de cura incrível, e seus donos normalmente tem uma insegurança infundada, mesmo que escondida. Também escolhem bruxos com bastante potencial.
Patrono: Pomba. 
Ocupação: House-wife.
History
Desde o momento que nascera até seu primeiro dia em Hogwarts, ela era conhecida como a filha de Ezra. Era dessa forma que a conheciam nas festas do mundo bruxo. “Essa é minha filha” ele falava, e Lavina sempre abria a boca para complementar com seu nome depois de perceber que ele não o falaria, mas um aperto em seus ombros logo a fazia calar-se e sorrir. Sentia uma mágoa formar em seu peito conforme percebia, ao longo dos anos, que ninguém se importava se ela tinha um nome ou não. Era diferente com seu irmão. Todos queriam ouvir o que ele tinha dizer, e o perguntavam qual era seu nome. Ela também tinha coisas a dizer, opiniões e argumentos, mesmo que fossem falhos e infantis. Ninguém se interessava. Só queriam saber se ela podia sorrir da forma correta e rir nos momentos certos. Quando seu irmão atingiu oito anos de idade, ele ganhou uma vassoura, e passou a tarde toda com seu pai no campo, aprendendo a voar. Quando ela completou oito anos, sua mãe segurou sua mão e a levou até a aula de ballet, saindo com a promessa de voltar para busca-la em uma hora. Detestava a dança. Não conseguia alcançar seus dedos do pé, ou fazer os passos tão perfeitamente quanto a professora queria que fosse. Pediu para parar depois da primeira aula, mas sua mãe apenas balançou a cabeça, dizendo que era o esporte perfeito para uma garota. Não sentiu inveja do irmão, no entanto. Não entendia toda a euforia com o Quadribol que o mundo bruxo tinha, e preferia fazer piruetas do que subir em uma vassoura. Parte disso era por achar o jogo estúpido, e a outra parte era por causa de seu medo de altura.
Dos onze aos vinte e quatro anos, era a irmã de Liam. O irmão chegou a Hogwarts cinco anos antes que ela, e já tinha um grupo diversos de amigos enquanto Lavina não conhecia ninguém. Sabia como ser agradável, fora treinada para isso durante toda sua infância, mas não como manter amizades. Foi selecionada para a hufflepuff, e sentia-se confortável no Salão Comunal, mais do que sentia-se em sua casa, que parecia cada ano mais fria depois de conhecer o aconchego do castelo. Parou de ir a sua aula de dança no verão de seu quinto ano, embora seus pais só tivessem descoberto três semanas depois. A dor nos pés e nos músculos era grande demais para algo que ela nem sequer gostava. Com o aconselhamento de um ou dois professores, decidiu o que queria fazer assim que se formasse. Não desejava ser como sua mãe. Apenas uma esposa para o marido exibir. Tinha a esperança de se livrar da opressão do pai assim que se formasse, em poder criar um próprio nome para si mesma, e não apenas se esconder atrás dos outros. Focou-se nos estudos, com a visão de que precisava ser melhor do que todos para conseguir a vaga que queria. Já tinha aprendido que ninguém lhe daria o valor que ela merecia pelo simples fato dela ser uma garota, e que precisava se esforçar mais que a maioria para se destacar. Ficou nervosa por meses esperando seus resultados, embora fosse sem necessidade. Foram ótimos, acima da média, melhor do que ela mesma esperava. Uma proposta de emprego chegou uma semana depois. A animação foi tanta que ela cometeu o erro de contar a seu pai. A permissão que ela nem pedira não lhe fora concebida, e Lavina sentiu o grito formar em sua garganta. Tentou discutir, argumentar. Sabia que estava certa e defendia seu ponto com fervor, mas seu pai a tratou como uma mosca barulhenta demais. Nem sequer se preocupou em escutá-la, dizendo que assim que se casasse poderia arranjar o emprego que quisesse. Demorou sete anos para que encontrassem um marido, mas ainda assim, encontraram.
Dos vinte e quatro até a idade que se encontrava agora, era a esposa de Boyd. Sra. Wheeler. Seu marido tinha o mesmo pensamento que seu pai, e sentia que ele a trataria exatamente como seu pai tratava sua mãe. Exatamente da forma que ela não queria ser tratada. Mas ele era rico, e sangue-puro. Era tudo que interessava, ou que aparentava interessar. Fora bom, no começo. Mesmo com as grosserias recorrentes, mesmo com ele bebendo tanto que ela acreditava que seu fígado estava destruído. Mesmo não tendo a permissão para trabalhar, e um gosto amargo em sua boca de que ainda a precisava. Nem se importava tanto em ter que frequentar as festas, porque ele pelo menos ficava ao seu lado. As conversas fluiam, e a forma que ele ria fazia sua esperança aumentar. Sentia que podia acabar o amando, eventualmente. Não de uma forma intensa, mas pelo menos um pouco.
Ariel nasceu dois meses depois de completarem dois anos de casados, e Boyd nunca fora um marido tão atencioso, embora a maior parte de sua atenção estivesse focada na bebê com fios de cabelos ruivos em seus braços. Entendia, é claro. Amou-a desde do instante que descobriu sua existência, quando nem sequer sabia se era menino ou menina. Era um amor intenso, que ela nunca sentira em toda a sua vida, e sabia que iria proteger aquela pequena garotinha por toda sua vida. Pela primeira vez, sentiu-se parte de uma família. O sonho, infelizmente, não durou muito. A mudança de Boyd foi inesperada e extremamente rápida. Como se uma filha fosse tudo que ele quisesse dela, e que já não tinha mais motivos para continuar tratando-a como esposa. Ela tentou. Sair os três juntos, como uma família. Dividir a mesa para jantar, perguntar sobre o trabalho, tentou de uma forma desesperada manter o relacionamento que antes tinham, mas o comportamento dele parecia apenas piorar. A descoberta de uma nova gravidez seria uma benção em qualquer outra família. Mas podia ver a insegurança com que sua filha tratava o assunto de um irmão, e Boyd nunca fora de ignorar os sentimentos da garota. Queria o bebê. Amava-o tanto quanto amava Ariel, mesmo nunca tendo visto seu rosto. E nunca chegou a vê-lo. A dor incomum e inesperada se tornara mil vezes pior quando viu o sangue manchando suas coxas. Não era justo uma mãe perder seu filho. Muito menos um filho que ela nunca chegara a conhecer. Esperou que Boyd a consolasse. Estava enganada. O marido proferiu tudo que ela estava pensando, de como ela havia falhado como mãe da pior forma possível. O relacionamento já danificado quebrou-se por completo. Juntar os cacos apenas cortava os seus dedos, mas ainda assim, ela não conseguia admitir que era inútil. Ele brincava e ria com Ariel mas não a tocava, não falava com ela. E ela sabia que todas as vezes que ele chegava de madrugada em casa não era por causa de muito trabalho no Ministério. Lavina tentou não se importar, ou pelo menos, fingir que não. Sem um emprego, o único motivo de sair de casa era passear com Ariel, ou ir em alguma festa estúpida que seu marido a leva-la para lembrar ao mundo que sim, ele era casado. Que ela ainda estava viva, mesmo que sentisse mais como uma parte da mobília do que qualquer outra coisa. Ela fazia questão de falar essa é Ariel, minha filha. Sempre falando o nome primeiro. Tinha se tornado a sua mãe, mas não deixaria que sua filha fosse pelo mesmo caminho.
Player: Is.
Lavina Bulstrode-Wheeler | Former Hufflepuff | Pureblood

"My brother never thinks before he speaks. I have been taught to filter. He was taught to grow out, I was thought to grow in."

Nacionalidade: Inglesa.

Varinha: Pêlo de unicórnio, salgueiro, 33cm. As varinhas de salgueiro tem um poder de cura incrível, e seus donos normalmente tem uma insegurança infundada, mesmo que escondida. Também escolhem bruxos com bastante potencial.

Patrono: Pomba. 

Ocupação: House-wife.

History

Desde o momento que nascera até seu primeiro dia em Hogwarts, ela era conhecida como a filha de Ezra. Era dessa forma que a conheciam nas festas do mundo bruxo. “Essa é minha filha” ele falava, e Lavina sempre abria a boca para complementar com seu nome depois de perceber que ele não o falaria, mas um aperto em seus ombros logo a fazia calar-se e sorrir. Sentia uma mágoa formar em seu peito conforme percebia, ao longo dos anos, que ninguém se importava se ela tinha um nome ou não. Era diferente com seu irmão. Todos queriam ouvir o que ele tinha dizer, e o perguntavam qual era seu nome. Ela também tinha coisas a dizer, opiniões e argumentos, mesmo que fossem falhos e infantis. Ninguém se interessava. Só queriam saber se ela podia sorrir da forma correta e rir nos momentos certos. Quando seu irmão atingiu oito anos de idade, ele ganhou uma vassoura, e passou a tarde toda com seu pai no campo, aprendendo a voar. Quando ela completou oito anos, sua mãe segurou sua mão e a levou até a aula de ballet, saindo com a promessa de voltar para busca-la em uma hora. Detestava a dança. Não conseguia alcançar seus dedos do pé, ou fazer os passos tão perfeitamente quanto a professora queria que fosse. Pediu para parar depois da primeira aula, mas sua mãe apenas balançou a cabeça, dizendo que era o esporte perfeito para uma garota. Não sentiu inveja do irmão, no entanto. Não entendia toda a euforia com o Quadribol que o mundo bruxo tinha, e preferia fazer piruetas do que subir em uma vassoura. Parte disso era por achar o jogo estúpido, e a outra parte era por causa de seu medo de altura.

Dos onze aos vinte e quatro anos, era a irmã de Liam. O irmão chegou a Hogwarts cinco anos antes que ela, e já tinha um grupo diversos de amigos enquanto Lavina não conhecia ninguém. Sabia como ser agradável, fora treinada para isso durante toda sua infância, mas não como manter amizades. Foi selecionada para a hufflepuff, e sentia-se confortável no Salão Comunal, mais do que sentia-se em sua casa, que parecia cada ano mais fria depois de conhecer o aconchego do castelo. Parou de ir a sua aula de dança no verão de seu quinto ano, embora seus pais só tivessem descoberto três semanas depois. A dor nos pés e nos músculos era grande demais para algo que ela nem sequer gostava. Com o aconselhamento de um ou dois professores, decidiu o que queria fazer assim que se formasse. Não desejava ser como sua mãe. Apenas uma esposa para o marido exibir. Tinha a esperança de se livrar da opressão do pai assim que se formasse, em poder criar um próprio nome para si mesma, e não apenas se esconder atrás dos outros. Focou-se nos estudos, com a visão de que precisava ser melhor do que todos para conseguir a vaga que queria. Já tinha aprendido que ninguém lhe daria o valor que ela merecia pelo simples fato dela ser uma garota, e que precisava se esforçar mais que a maioria para se destacar. Ficou nervosa por meses esperando seus resultados, embora fosse sem necessidade. Foram ótimos, acima da média, melhor do que ela mesma esperava. Uma proposta de emprego chegou uma semana depois. A animação foi tanta que ela cometeu o erro de contar a seu pai. A permissão que ela nem pedira não lhe fora concebida, e Lavina sentiu o grito formar em sua garganta. Tentou discutir, argumentar. Sabia que estava certa e defendia seu ponto com fervor, mas seu pai a tratou como uma mosca barulhenta demais. Nem sequer se preocupou em escutá-la, dizendo que assim que se casasse poderia arranjar o emprego que quisesse. Demorou sete anos para que encontrassem um marido, mas ainda assim, encontraram.

Dos vinte e quatro até a idade que se encontrava agora, era a esposa de Boyd. Sra. Wheeler. Seu marido tinha o mesmo pensamento que seu pai, e sentia que ele a trataria exatamente como seu pai tratava sua mãe. Exatamente da forma que ela não queria ser tratada. Mas ele era rico, e sangue-puro. Era tudo que interessava, ou que aparentava interessar. Fora bom, no começo. Mesmo com as grosserias recorrentes, mesmo com ele bebendo tanto que ela acreditava que seu fígado estava destruído. Mesmo não tendo a permissão para trabalhar, e um gosto amargo em sua boca de que ainda a precisava. Nem se importava tanto em ter que frequentar as festas, porque ele pelo menos ficava ao seu lado. As conversas fluiam, e a forma que ele ria fazia sua esperança aumentar. Sentia que podia acabar o amando, eventualmente. Não de uma forma intensa, mas pelo menos um pouco.

Ariel nasceu dois meses depois de completarem dois anos de casados, e Boyd nunca fora um marido tão atencioso, embora a maior parte de sua atenção estivesse focada na bebê com fios de cabelos ruivos em seus braços. Entendia, é claro. Amou-a desde do instante que descobriu sua existência, quando nem sequer sabia se era menino ou menina. Era um amor intenso, que ela nunca sentira em toda a sua vida, e sabia que iria proteger aquela pequena garotinha por toda sua vida. Pela primeira vez, sentiu-se parte de uma família. O sonho, infelizmente, não durou muito. A mudança de Boyd foi inesperada e extremamente rápida. Como se uma filha fosse tudo que ele quisesse dela, e que já não tinha mais motivos para continuar tratando-a como esposa. Ela tentou. Sair os três juntos, como uma família. Dividir a mesa para jantar, perguntar sobre o trabalho, tentou de uma forma desesperada manter o relacionamento que antes tinham, mas o comportamento dele parecia apenas piorar. A descoberta de uma nova gravidez seria uma benção em qualquer outra família. Mas podia ver a insegurança com que sua filha tratava o assunto de um irmão, e Boyd nunca fora de ignorar os sentimentos da garota. Queria o bebê. Amava-o tanto quanto amava Ariel, mesmo nunca tendo visto seu rosto. E nunca chegou a vê-lo. A dor incomum e inesperada se tornara mil vezes pior quando viu o sangue manchando suas coxas. Não era justo uma mãe perder seu filho. Muito menos um filho que ela nunca chegara a conhecer. Esperou que Boyd a consolasse. Estava enganada. O marido proferiu tudo que ela estava pensando, de como ela havia falhado como mãe da pior forma possível. O relacionamento já danificado quebrou-se por completo. Juntar os cacos apenas cortava os seus dedos, mas ainda assim, ela não conseguia admitir que era inútil. Ele brincava e ria com Ariel mas não a tocava, não falava com ela. E ela sabia que todas as vezes que ele chegava de madrugada em casa não era por causa de muito trabalho no Ministério. Lavina tentou não se importar, ou pelo menos, fingir que não. Sem um emprego, o único motivo de sair de casa era passear com Ariel, ou ir em alguma festa estúpida que seu marido a leva-la para lembrar ao mundo que sim, ele era casado. Que ela ainda estava viva, mesmo que sentisse mais como uma parte da mobília do que qualquer outra coisa. Ela fazia questão de falar essa é Ariel, minha filha. Sempre falando o nome primeiro. Tinha se tornado a sua mãe, mas não deixaria que sua filha fosse pelo mesmo caminho.

Player: Is.

Boyd Francis Wheeler | Former Slytherin | Pureblood
“The fuckers. There, I feel better. God-damned human race. There, I feel better.” ― Charles Bukowski
Nacionalidade: Inglês.
Varinha: 32cm, carvalho inglês. Corda de coração de dragão.
Patrono: Guepardo. 
Ocupação: Auror.
History
O nascimento do primogênito dos Wheeler representou muitas coisas: um sorriso no rosto embriagado de Daniel quando soube que teria um herdeiro, lágrimas de desespero escorrendo pelas bochechas e salgando os lábios finos de Natasha pedindo para que seu filho fosse bom e a certeza de que os meses de paz que haviam reinado no lar do jovem casal desde o anúncio da gravidez haviam acabado.
O garoto de sorriso fácil e olhar curioso não sabia e demoraria muito a saber, mas cada célula do corpo de Natasha tentava não culpá-lo pelo inferno no qual vivia. Ela e Daniel haviam se conhecido em uma festa – uma das inúmeras, dadas pela família Wheeler para demonstrar ao mundo bruxo como cada dia ficavam mais e mais ricos por conta dos vícios de todos os presentes. A fortuna da família havia se iniciado com a produção em série de Firewhiskey e, naquele momento, expandia os horizontes para outros tipos de bebidas. Os convidados da festa comemoravam, afinal de contas, estavam bêbados. Dentre todos os beberrões, estava Natasha, acompanhante de um importante homem do mundo bruxo e, desde o inicio da noite, alvo de olhares curiosos de Daniel.
Quando Daniel a abordou, a jovem russa estava tão bêbada que a promessa de uma vida feliz ao lado de um homem tão atencioso como ele aparentava ser possível. Os sorrisos fáceis e as mãos bobas fizeram com que os dois acordassem na mesma cama, com Daniel ajoelhado ao lado da cama com um anel de noivado. A pergunta era clara e a intenção também. Naquele momento, a resposta de Natasha foi ainda mais clara. Casaram-se em menos de dois meses e, sem conhecer muito um do outro, os problemas se iniciaram assim que Natasha percebeu que Daniel não estava bêbado naquela noite por ser uma noite de festa.
Ele sempre estava.
Junto com o vício pelo álcool, seu marido acumulava muitos outros. Era um clichê do qual a ex-acompanhante não queria fazer parte e, em três meses de casamento, tentou ir embora. Quando tentou, viu sob a face embriagada, um olhar apaixonado e o pedido para que ficasse. Viu flores e promessas, viu juras de amor na qual acreditou com a facilidade de uma mulher apaixonada. Nessa noite, talvez a melhor de todo o período de matrimônio, ela engravidou.
Como esperado, antes que Boyd aprendesse engatinhar, o lar dos Wheeler irrompeu em gritos munidos de ódio e copos quebrados. Ele nunca soube o que era viver em ambiente de paz ou que havia algo de errado na forma como as portas batiam ou como a mãe sempre aparecia chorando para lhe dar boa noite. "Please, Boyd, be good."
Sabia, no entanto, que sua irmã mais nova chorava ao ouvir os gritos. Após o nascimento de Yavanna, a situação ficou ainda mais insuportável; junto aos sons característicos do inicio da infância, havia o som de violência. E as lágrimas de desespero da irmã fizeram com que Boyd se tornasse seu protetor. Todas as noites, ele entrava no quarto da irmã e tentava acalmá-la – utilizando ou não a magia recém descoberta para isso.
A relação criada com a irmã mais nova fez com que a ida para Hogwarts se tornasse difícil. Boyd não queria ir, não queria deixar a irmã sozinha naquela casa. No entanto, ir para a Escola de Magia e Bruxaria significava que ele mesmo estava longe do caos familiar que o rodeava e a promessa de que iria escrever para Yav todas as semanas somada ao pedido sussurrado em seu ouvido quando se abraçaram na plataforma à espera do expresso Hogwarts fez com que o ingresso na escola se tornasse mais fácil.
Selecionado para a casa de Salazar, Boyd se viu, pela primeira vez, longe de tudo aquilo que conhecia. Pela primeira vez, estava sozinho e podia ser ele mesmo – desenvolver sua própria personalidade ou fazer aquilo que desejasse sem qualquer medo da fúria do pai e isso era assustador. Boyd Wheeler não sabia quem era, do que gostava ou o que queria fazer com a sua vida. E, em meio a não saber, acabou por seguir o exemplo daquele que não deveria seguir, daquele a quem odiava.
Suas respostas eram curtas e, muitas vezes, ásperas. Havia uma sinceridade latente na forma com a qual o mais novo dos Wheeler se comunicava que, não fosse os ideais cravados em sua mente desde a infância, não seria tão ruim. Tal como o pai, Boyd tendia ao purismo e absolutamente tudo aquilo que excluía as minorias. Mesmo sendo uma pessoa difícil e, por muitas vezes, intragável, Boyd fez amigos. Dois, para ser mais exato. Galahad e Kristoff. A relação com Kristoff, no entanto, não se manteve por muito tempo. Para Wheeler, não foi grande perda, uma vez em que o jovem Belahov demonstrava parcela daquilo que ele havia aprendido a odiar. Aquilo que compunha a longuíssima lista de tudo o que desprezava.
Dentre essa lista, também estava Dominique Flaherty.
A jovem, monitora da Grifinória – outra das coisas que ele havia aprendido a odiar, e petulante o suficiente para achar que poderia puni-lo por estar perambulando pelos corredores após o horário. Irritante o suficiente para tirá-lo do sério como ninguém havia feito antes. Boyd não sabe ao certo o que o levou para ela, se foi a forma como ela gritou com ele e o chamou de grosso ou a forma como as narinas se moviam conforme ela se irritava, mas a beijou. Pela primeira vez, traiu tudo aquilo que conhecia.
A relação com Dominique, apesar de breve, foi intensa. Intensa o suficiente para que, no recesso de Natal de seu sétimo ano, ele pensasse em contar ao pai que estava apaixonado por uma mudblood e que nada do que ele dissesse o faria mudar de ideia. Demorou cinco dias ensaiando o discurso e teve a chance de dá-lo cerca de dez vezes, mas nunca o fez. Toda a pose de Boyd, naquela época, era derrubada pelo olhar do pai ou por algum comentário feito pelo mesmo.
Quando voltou a Hogwarts, decepcionado consigo mesmo, Boyd não reencontrou Nici. Ela não havia retornado e ele nunca soube o porquê. Nenhum dos professores o respondia e as cartas enviadas para ela não obtinham qualquer resposta. Demorou um tempo para que o sonserino admitisse que a havia perdido e voltasse a ser quem ele era antes de conhecê-la – alguns dizem que ele jamais voltou a ser quem era, apenas tornou-se pior. Se no inicio do sétimo ano Boyd Wheeler era intragável, ao final do mesmo ano, não havia ninguém quem aguentasse ficar perto dele. Somente Galahad o aturava e, foi nessa época, que ele percebeu a amizade dos dois era, provavelmente, a única coisa boa em sua vida.
Ao se formar, pela primeira vez, enfrentou o pai. Talvez para provar a si mesmo que conseguia ou para, de alguma forma, parar de culpar sua falha seis meses antes pela partida de Dominique. Contrariando tudo o que ele desejava, não tomou à frente dos negócios da família e optou por uma carreira que, segundo ele, significava alguma coisa. Começou seu treinamento para ser auror na mesma época em que Galahad começou o dele para ser hit wizard, o que fez com que a amizade superasse as barreiras do tempo ou das fronteiras de Hogwarts e perdurasse pelos anos que se seguiam.
Ainda que houvesse enfrentado o pai no que dizia respeito aos sonhos que ele despejava sobre o filho, não conseguia fazer o mesmo quando se pautava em relações amorosas ou algo do tipo. Ele mesmo não conseguia estabelecê-las e parecia não ter muita vontade de fazê-lo por conta própria. No que dependesse de si, não se casaria e viveria focado em fazer seu trabalho, no entanto, o desejo da mãe de ter uma nora e, principalmente, de ser avó, faziam com que ele cedesse aos noivados arranjados pelo pai.
A primeira delas, uma grifana quase tão petulante quanto Nici fez com que ele pensasse que, talvez, houvesse alguma chance de ter um relacionamento tão interessante quanto o que tivera com alguém. No entanto, as inúmeras recusas de Annie frente a qualquer tentativa de aproximação de Boyd fizeram-no desistir, algumas semanas antes do casamento, daquilo que teria sido um fracasso. A desistência não foi levada de boa forma por seus pais ou pelos pais da noiva, mas as consequências para a jovem Ackerman foram muito mais severas dos que as enfrentadas por ele. Mesmo assim, jamais a procurou novamente.
Após Annie, teve cerca de três tentativas de noivado que não vingaram. Uma delas era francesa demais, a outra vinha de uma família trouxa e a última delas havia decidido dizer o quanto detestava Firewhiskey durante o jantar. Por esse motivo, quando foi apresentado a Lavina Bulstrode, estava completamente desanimado com a ideia de agradar sua mãe. Não tentou impressionar a possível futura noiva e, provavelmente, não o fez. Mas ela o impressionou. Era a esposa perfeito, fosse pelos atributos físicos ou pela capacidade intelectual.
Ao final da noite, teve a certeza de que se casaria com ela.
Não a amava – jamais ousou pensar que amaria alguém que não fosse Dominique Flaherty, no entanto, gostava de sua companhia. O máximo que conseguia gostar da companhia de alguém. Casaram-se quase seis meses depois, numa festa tão grande quanto àquela na qual os pais de Boys haviam se conhecido e todo o mundo bruxo soube que o herdeiro dos Wheeler havia encontrado sua esposa. Ele e Lavina fugiram na metade da festa para qualquer lugar que não fosse aquele.
Os primeiros anos de casamento, como deveriam ser, foram tomados por risadas, sorrisos e beijos. Boyd não a amava, mas tentava. Lavina provavelmente pensava que poderia amá-lo um dia e, para ele, isso era suficiente. Por algum tempo, ele pensou que havia se tornado a pessoa que era com Nici. Mais leve, mais humano e muito melhor no desenvolvimento das relações interpessoais.  Os benefícios do casamento, no entanto, foram se esvaindo. E o catalisador para o início da decadência da relação foi o nascimento de Ariel.
Ariel era tudo aquilo que imagina que sua filha deveria ser: linda e absurdamente inteligente. A pequena garota de cabelos acobreados era a menina dos olhos do pai e, para ele, foi transferida toda a sua capacidade de amar alguém. Toda a sua atenção, todos os sorrisos fáceis e os abraços espontâneos. Para Lavina  restou o esqueleto daquilo que Boyd costumava ser.
Alcançado o objetivo de dar à mãe tudo aquilo que ela sonhava, o mais velho dos Wheeler pensou que não havia mais razão alguma em tentar manter um casamento firme e estável. Os anos de casamento o haviam deixado entediado na rotina e ele passou a trair a esposa cada vez mais. Sentia-se culpado frente às tentativas dela de aproximação e, por isso, comprava-lhe joias. Até mesmo, obrigava-se a deitar com a esposa algumas vezes ao mês. O que era mensal, com o passar dos meses e da ausência de esforços dele, tornaram-se quinzenais, trimestrais e semestrais. Boyd já não sabia mais o que a esposa gostava ou se preocupava em saber.
A segunda gravidez de Lavina veio quatro anos após a primeira, mas a felicidade presente na primeira jamais foi substituída. Havia medo no olhar de Ariel, de perder tudo aquilo que os pais lhe davam e, por isso, havia preocupação em Boyd que outro filho talvez não fosse a melhor das ideias. Só deu-se conta do quanto o queria, quando o perdeu. O aborto foi espontâneo e ele não estava em casa – correu para ela somente para gritar com a esposa e culpá-la por ser tão inútil que sequer conseguia terminar uma gravidez sozinha.
O perda de seu segundo filho foi o marco para a real decadência de seu casamento. Boyd perdia-se em vícios, tal como o pai fazia. Bebia demais e envolvia-se em brigas demais. Era um ótimo auror e honrava seu cargo durante as horas de trabalho, no entanto, assim que julgava-se livre, perdia-se entre prostíbulos e garrafas de bebida trouxa – a qual ele descobriu fazê-lo esquecer dos problemas com muito mais facilidade do que a bruxa. Por vezes, enquanto estava sentado no balcão de um bar qualquer, pensava na filha dormindo sem seu beijo de boa noite e no jantar preparado pela esposa esfriando no balcão. Por vezes, lembrava-se do pedido que a mãe o fez todas as noites, quando criança. "Please, Boyd, be good." Todas as vezes, sem exceção, bebia mais duas ou três doses que o queimavam a garganta e o faziam esquecer de tudo aquilo que não deveria. I’m sorry, mom, I’m definetely no good.
Player: Ananda.
Boyd Francis Wheeler | Former Slytherin | Pureblood

“The fuckers. There, I feel better. God-damned human race. There, I feel better.” ― Charles Bukowski

Nacionalidade: Inglês.

Varinha: 32cm, carvalho inglês. Corda de coração de dragão.

Patrono: Guepardo. 

Ocupação: Auror.

History

O nascimento do primogênito dos Wheeler representou muitas coisas: um sorriso no rosto embriagado de Daniel quando soube que teria um herdeiro, lágrimas de desespero escorrendo pelas bochechas e salgando os lábios finos de Natasha pedindo para que seu filho fosse bom e a certeza de que os meses de paz que haviam reinado no lar do jovem casal desde o anúncio da gravidez haviam acabado.

O garoto de sorriso fácil e olhar curioso não sabia e demoraria muito a saber, mas cada célula do corpo de Natasha tentava não culpá-lo pelo inferno no qual vivia. Ela e Daniel haviam se conhecido em uma festa – uma das inúmeras, dadas pela família Wheeler para demonstrar ao mundo bruxo como cada dia ficavam mais e mais ricos por conta dos vícios de todos os presentes. A fortuna da família havia se iniciado com a produção em série de Firewhiskey e, naquele momento, expandia os horizontes para outros tipos de bebidas. Os convidados da festa comemoravam, afinal de contas, estavam bêbados. Dentre todos os beberrões, estava Natasha, acompanhante de um importante homem do mundo bruxo e, desde o inicio da noite, alvo de olhares curiosos de Daniel.

Quando Daniel a abordou, a jovem russa estava tão bêbada que a promessa de uma vida feliz ao lado de um homem tão atencioso como ele aparentava ser possível. Os sorrisos fáceis e as mãos bobas fizeram com que os dois acordassem na mesma cama, com Daniel ajoelhado ao lado da cama com um anel de noivado. A pergunta era clara e a intenção também. Naquele momento, a resposta de Natasha foi ainda mais clara. Casaram-se em menos de dois meses e, sem conhecer muito um do outro, os problemas se iniciaram assim que Natasha percebeu que Daniel não estava bêbado naquela noite por ser uma noite de festa.

Ele sempre estava.

Junto com o vício pelo álcool, seu marido acumulava muitos outros. Era um clichê do qual a ex-acompanhante não queria fazer parte e, em três meses de casamento, tentou ir embora. Quando tentou, viu sob a face embriagada, um olhar apaixonado e o pedido para que ficasse. Viu flores e promessas, viu juras de amor na qual acreditou com a facilidade de uma mulher apaixonada. Nessa noite, talvez a melhor de todo o período de matrimônio, ela engravidou.

Como esperado, antes que Boyd aprendesse engatinhar, o lar dos Wheeler irrompeu em gritos munidos de ódio e copos quebrados. Ele nunca soube o que era viver em ambiente de paz ou que havia algo de errado na forma como as portas batiam ou como a mãe sempre aparecia chorando para lhe dar boa noite. "Please, Boyd, be good."

Sabia, no entanto, que sua irmã mais nova chorava ao ouvir os gritos. Após o nascimento de Yavanna, a situação ficou ainda mais insuportável; junto aos sons característicos do inicio da infância, havia o som de violência. E as lágrimas de desespero da irmã fizeram com que Boyd se tornasse seu protetor. Todas as noites, ele entrava no quarto da irmã e tentava acalmá-la – utilizando ou não a magia recém descoberta para isso.

A relação criada com a irmã mais nova fez com que a ida para Hogwarts se tornasse difícil. Boyd não queria ir, não queria deixar a irmã sozinha naquela casa. No entanto, ir para a Escola de Magia e Bruxaria significava que ele mesmo estava longe do caos familiar que o rodeava e a promessa de que iria escrever para Yav todas as semanas somada ao pedido sussurrado em seu ouvido quando se abraçaram na plataforma à espera do expresso Hogwarts fez com que o ingresso na escola se tornasse mais fácil.

Selecionado para a casa de Salazar, Boyd se viu, pela primeira vez, longe de tudo aquilo que conhecia. Pela primeira vez, estava sozinho e podia ser ele mesmo – desenvolver sua própria personalidade ou fazer aquilo que desejasse sem qualquer medo da fúria do pai e isso era assustador. Boyd Wheeler não sabia quem era, do que gostava ou o que queria fazer com a sua vida. E, em meio a não saber, acabou por seguir o exemplo daquele que não deveria seguir, daquele a quem odiava.

Suas respostas eram curtas e, muitas vezes, ásperas. Havia uma sinceridade latente na forma com a qual o mais novo dos Wheeler se comunicava que, não fosse os ideais cravados em sua mente desde a infância, não seria tão ruim. Tal como o pai, Boyd tendia ao purismo e absolutamente tudo aquilo que excluía as minorias. Mesmo sendo uma pessoa difícil e, por muitas vezes, intragável, Boyd fez amigos. Dois, para ser mais exato. Galahad e Kristoff. A relação com Kristoff, no entanto, não se manteve por muito tempo. Para Wheeler, não foi grande perda, uma vez em que o jovem Belahov demonstrava parcela daquilo que ele havia aprendido a odiar. Aquilo que compunha a longuíssima lista de tudo o que desprezava.

Dentre essa lista, também estava Dominique Flaherty.

A jovem, monitora da Grifinória – outra das coisas que ele havia aprendido a odiar, e petulante o suficiente para achar que poderia puni-lo por estar perambulando pelos corredores após o horário. Irritante o suficiente para tirá-lo do sério como ninguém havia feito antes. Boyd não sabe ao certo o que o levou para ela, se foi a forma como ela gritou com ele e o chamou de grosso ou a forma como as narinas se moviam conforme ela se irritava, mas a beijou. Pela primeira vez, traiu tudo aquilo que conhecia.

A relação com Dominique, apesar de breve, foi intensa. Intensa o suficiente para que, no recesso de Natal de seu sétimo ano, ele pensasse em contar ao pai que estava apaixonado por uma mudblood e que nada do que ele dissesse o faria mudar de ideia. Demorou cinco dias ensaiando o discurso e teve a chance de dá-lo cerca de dez vezes, mas nunca o fez. Toda a pose de Boyd, naquela época, era derrubada pelo olhar do pai ou por algum comentário feito pelo mesmo.

Quando voltou a Hogwarts, decepcionado consigo mesmo, Boyd não reencontrou Nici. Ela não havia retornado e ele nunca soube o porquê. Nenhum dos professores o respondia e as cartas enviadas para ela não obtinham qualquer resposta. Demorou um tempo para que o sonserino admitisse que a havia perdido e voltasse a ser quem ele era antes de conhecê-la – alguns dizem que ele jamais voltou a ser quem era, apenas tornou-se pior. Se no inicio do sétimo ano Boyd Wheeler era intragável, ao final do mesmo ano, não havia ninguém quem aguentasse ficar perto dele. Somente Galahad o aturava e, foi nessa época, que ele percebeu a amizade dos dois era, provavelmente, a única coisa boa em sua vida.

Ao se formar, pela primeira vez, enfrentou o pai. Talvez para provar a si mesmo que conseguia ou para, de alguma forma, parar de culpar sua falha seis meses antes pela partida de Dominique. Contrariando tudo o que ele desejava, não tomou à frente dos negócios da família e optou por uma carreira que, segundo ele, significava alguma coisa. Começou seu treinamento para ser auror na mesma época em que Galahad começou o dele para ser hit wizard, o que fez com que a amizade superasse as barreiras do tempo ou das fronteiras de Hogwarts e perdurasse pelos anos que se seguiam.

Ainda que houvesse enfrentado o pai no que dizia respeito aos sonhos que ele despejava sobre o filho, não conseguia fazer o mesmo quando se pautava em relações amorosas ou algo do tipo. Ele mesmo não conseguia estabelecê-las e parecia não ter muita vontade de fazê-lo por conta própria. No que dependesse de si, não se casaria e viveria focado em fazer seu trabalho, no entanto, o desejo da mãe de ter uma nora e, principalmente, de ser avó, faziam com que ele cedesse aos noivados arranjados pelo pai.

A primeira delas, uma grifana quase tão petulante quanto Nici fez com que ele pensasse que, talvez, houvesse alguma chance de ter um relacionamento tão interessante quanto o que tivera com alguém. No entanto, as inúmeras recusas de Annie frente a qualquer tentativa de aproximação de Boyd fizeram-no desistir, algumas semanas antes do casamento, daquilo que teria sido um fracasso. A desistência não foi levada de boa forma por seus pais ou pelos pais da noiva, mas as consequências para a jovem Ackerman foram muito mais severas dos que as enfrentadas por ele. Mesmo assim, jamais a procurou novamente.

Após Annie, teve cerca de três tentativas de noivado que não vingaram. Uma delas era francesa demais, a outra vinha de uma família trouxa e a última delas havia decidido dizer o quanto detestava Firewhiskey durante o jantar. Por esse motivo, quando foi apresentado a Lavina Bulstrode, estava completamente desanimado com a ideia de agradar sua mãe. Não tentou impressionar a possível futura noiva e, provavelmente, não o fez. Mas ela o impressionou. Era a esposa perfeito, fosse pelos atributos físicos ou pela capacidade intelectual.

Ao final da noite, teve a certeza de que se casaria com ela.

Não a amava – jamais ousou pensar que amaria alguém que não fosse Dominique Flaherty, no entanto, gostava de sua companhia. O máximo que conseguia gostar da companhia de alguém. Casaram-se quase seis meses depois, numa festa tão grande quanto àquela na qual os pais de Boys haviam se conhecido e todo o mundo bruxo soube que o herdeiro dos Wheeler havia encontrado sua esposa. Ele e Lavina fugiram na metade da festa para qualquer lugar que não fosse aquele.

Os primeiros anos de casamento, como deveriam ser, foram tomados por risadas, sorrisos e beijos. Boyd não a amava, mas tentava. Lavina provavelmente pensava que poderia amá-lo um dia e, para ele, isso era suficiente. Por algum tempo, ele pensou que havia se tornado a pessoa que era com Nici. Mais leve, mais humano e muito melhor no desenvolvimento das relações interpessoais.  Os benefícios do casamento, no entanto, foram se esvaindo. E o catalisador para o início da decadência da relação foi o nascimento de Ariel.

Ariel era tudo aquilo que imagina que sua filha deveria ser: linda e absurdamente inteligente. A pequena garota de cabelos acobreados era a menina dos olhos do pai e, para ele, foi transferida toda a sua capacidade de amar alguém. Toda a sua atenção, todos os sorrisos fáceis e os abraços espontâneos. Para Lavina  restou o esqueleto daquilo que Boyd costumava ser.

Alcançado o objetivo de dar à mãe tudo aquilo que ela sonhava, o mais velho dos Wheeler pensou que não havia mais razão alguma em tentar manter um casamento firme e estável. Os anos de casamento o haviam deixado entediado na rotina e ele passou a trair a esposa cada vez mais. Sentia-se culpado frente às tentativas dela de aproximação e, por isso, comprava-lhe joias. Até mesmo, obrigava-se a deitar com a esposa algumas vezes ao mês. O que era mensal, com o passar dos meses e da ausência de esforços dele, tornaram-se quinzenais, trimestrais e semestrais. Boyd já não sabia mais o que a esposa gostava ou se preocupava em saber.

A segunda gravidez de Lavina veio quatro anos após a primeira, mas a felicidade presente na primeira jamais foi substituída. Havia medo no olhar de Ariel, de perder tudo aquilo que os pais lhe davam e, por isso, havia preocupação em Boyd que outro filho talvez não fosse a melhor das ideias. Só deu-se conta do quanto o queria, quando o perdeu. O aborto foi espontâneo e ele não estava em casa – correu para ela somente para gritar com a esposa e culpá-la por ser tão inútil que sequer conseguia terminar uma gravidez sozinha.

O perda de seu segundo filho foi o marco para a real decadência de seu casamento. Boyd perdia-se em vícios, tal como o pai fazia. Bebia demais e envolvia-se em brigas demais. Era um ótimo auror e honrava seu cargo durante as horas de trabalho, no entanto, assim que julgava-se livre, perdia-se entre prostíbulos e garrafas de bebida trouxa – a qual ele descobriu fazê-lo esquecer dos problemas com muito mais facilidade do que a bruxa. Por vezes, enquanto estava sentado no balcão de um bar qualquer, pensava na filha dormindo sem seu beijo de boa noite e no jantar preparado pela esposa esfriando no balcão. Por vezes, lembrava-se do pedido que a mãe o fez todas as noites, quando criança. "Please, Boyd, be good." Todas as vezes, sem exceção, bebia mais duas ou três doses que o queimavam a garganta e o faziam esquecer de tudo aquilo que não deveria. I’m sorry, mom, I’m definetely no good.

Player: Ananda.

Dominique Flaherty | Former Gryffindor | Muggleborn
"You never get over it. But you get to where it doesn’t bother you so much." 
Nacionalidade: Inglesa.
Varinha: Cipestre, corda de coração de dragão, 33cm.
Patrono:Tigre. 
Ocupação: Garota de Programa.
History
Seres humanos gostam dividir suas vidas durante o decorrer delas. Um marco normalmente é escolhido por marcar profundamente uma civilização, ou até mesmo o mundo inteiro. Era assim com a invenção da escrita, que separava a pré-história da história real, ou o nascimento de Cristo, que separava os anos em a.C e d.C. Em 1947 – depois de Cristo – nasceu uma garota que não a graduação da faculdade como grande marco de sua vida. Ou o casamento. Ou qualquer outra coisa que normalmente marcava a vida das pessoas. O grande marco da vida de Dominique era a gravidez. O antes e o depois eram tão incrivelmente diferentes que ela não podia acreditar que aquilo era a vida de uma pessoa só.
Antes da gravidez, ela era uma pessoa normal. Era um bebê normal. Sua primeira palavra foi “papá”, e embora o homem insistisse alegremente que ela queria ter dito papai, a criança provavelmente estava pedindo por comida. Caiu muitas vezes antes de conseguir um andar bambo, e, mais tarde, ela tentaria se lembrar de como podia ser tão fácil se reerguer depois de um tombo. Seu pai era um homem importante no mundo de ações, e, embora carinhoso, era um grande defensor dos bons costumes. No entanto, Dominique não seguia o padrão de feminilidade que seu pai esperava que ela tivesse. Escalava árvores, jogava bola com os garotos de sua rua, sempre voltando com os joelhos ralados e terra embaixo de suas unhas para casa. Ela tinha a mania de achar que não tinha um limite. Toda vez que alcança um galho, se convencia de que podia alcançar o seguinte. Foi com essa mentalidade que chegou ao topo de uma árvore na fazenda de seu avô. Uma árvore alta demais para uma criança de sete anos escalar. Sentiu o desespero se estabelecer no seu corpo rapidamente, as lágrimas queimando nos lados dos olhos ao perceber que não sabia como descer, e não tinha como chamar alguém. O terreno era grande demais, e ninguém a escutaria. Só havia um jeito de descer. Se ela fosse um pouco mais racional, ou mais velha, não teria feito isso. Mas era uma criança, e ainda sentia-se invencível. Ajeitou-se no lugar, apenas para escorregar para fora do galho, sem nem sequer se preocupar em olhar para baixo mais uma vez. Chegou à conclusão que iria doer quando acertasse o solo, mas, felizmente, nunca descobriu como seria a dor. A gravidade pareceu trabalhar a seu favor, e ela flutuou tranquilamente até alcançar o chão. Manteve a magia em segredo, usando-a em suas brincadeiras. A primeira pessoa para quem contou – ou melhor, para quemmostrou – foi sua mais nova irmã. Isil entrou na sua vida quando tinha dois anos, e ela nove, e embora a mais nova não entendesse o que significava a palavra magia, ela com certeza entendia que o fato de sua irmã ser capaz de flores levitarem não era comum. Tornou-se incrivelmente próxima a garota, feliz por ter uma amiga que dormia no quarto do outro lado do corredor, mesmo com a grande diferença de idade. Achava sua habilidade, seu super poder, como gostava de chamar em sua cabeça, algo incrível, mas não achou que iria causar grande mudanças em sua vida. Continuou indo à escola e aprendendo matemática e tendo que comer os legumes nas refeições. Achou que seria assim até completar os 18 anos e se formar. A carta de Hogwarts não mudou o aspecto da formatura, mas não era a chegada da carta que ela usava como grande marco em sua vida.
Seus pais pareciam céticos, a princípio. Magia não é real, diziam, e para eles realmente não era. Quem os convenceu foi Isil, contando sobre os poderes da irmã. Seu pai parecia orgulhoso de ter uma filha tão especial, e até mesmo adiou um compromisso de seu emprego para levá-la a estação de trem. O chapéu seletor bradou Gryffindor sem sequer ponderar, e ela sentiu-se acolhida na casa dos leões. Antes de voltar para escola,recebeu a mesma carta que deveria sempre receber, mas com um peso extra. O distintivo de monitora causou um sorriso no seu rosto, e por mais que ela não fosse exatamente a pessoa mais correta que conhecesse, ela se esforçou tremendamente para ser boa em seu cargo. Isso incluía brigar com os alunos que pareciam achar que o toque de recolher não tinha que ser respeitado. Em uma das brigas, já na segunda semana de seu quinto ano, conheceu o primeiro garoto que amara. O primeiro garoto que beijara, que dormira com, o primeiro garoto que a fazia chorar, e o primeiro garoto que destruíra sua vida. Eles eram todos a mesma pessoa, e ela se odiava por sentir tanto por uma pessoa só. O relacionamento foi apaixonado, incrível e rápido. Acabou mais rapidamente do que começou. Já estava preocupada no começo de dezembro. Fazia as contas, e a prova de que não estava grávida deveria vir na primeira semana do mês. Não veio. Foi para casa no feriado de Natal, e durante a primeira semana de janeiro, também não veio. Fez a pior decisão de sua vida – ou a segunda pior, visto abrir as pernas para Boyd era a primeira – e foi contar para seu pai. Esperava por alguma forma de consolo, uma promessa de que tudo ficaria bem. As palavras de seu pai doeram mais do que o tapa que levou no rosto. Cerca de cinco minutos depois de proferir a palavra “grávida”, estava expulsa de casa, e, de acordo com o pai, ele faria que ela não fosse permitida a voltar para a escola. Imaginou que a queda da árvore que nunca aconteceu era uma ótima comparação para a situação que se encontrava. A adrenalina fora tanta perto de Boyd, pela forma que ele a fazia se sentir, física e mentalmente, que ela nem mesmo esquecera que estava caindo. Mas toda queda tem um fim, e ela atingiu o chão com uma força tão tremenda que duvidava que conseguira se levantar.
Foi quando conheceu Logan. Era mais velho, mais experiente. Tinha seu próprio negócio, ele lhe contara. E conhecia diversas garotas exatamente como ela, toda esperança que uma vez existia no olhar substituída por dor. Podia ajudar, mas ela teria que pagar, assim que fosse velha o suficiente para trabalhar. Tinha dezesseis anos. Em julho, deveria estar em casa, esperando pelos resultados de seus N.O.M.’s nervosamente, e todos os seus amigos estavam. Ela se encontrava em um quarto de hospital, os gritos ecoando pelo andar e as lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos, seu corpo frágil demais para suportar um parto sem causar-lhe grande dor. Uma enfermeira que ela conhecera no mesmo dia segurava sua mão, enquanto Dominique esmagava-a. Não falava com seu pai fazia 7 meses. Não recebera uma carta de Boyd, embora não o culpasse. Ninguém sabia o endereço que ela se encontrava, e ninguém se importava o suficiente para procura-la. Ela nem sequer pegou seu bebê no colo, balançando a cabeça vigorosamente quando a enfermeira tentou entrega-lo. Não iria mantê-lo, de qualquer forma. Nunca seria sua mãe. No entanto, não resistiu a ir até o berçário, procurando pelo menino que seria o seu, e sentiu um aperto no peito quando não conseguiu reconhece-lo. Sentiu também o olhar do casal que estavam olhando sua menina, e sabia que eles estavam rezando para que a filha deles nunca chegasse ao ponto que ela chegara. Passou mais dois anos morando de favor com Logan, e foi perto de seu aniversário de 18 anos que descobriu que ele não era tão honroso como falava. Descobriu quanto estava devendo, e era mais que ela jamais conseguiria arrecadar sem uma formação, trouxa ou bruxa. Logan sempre soubesse disso, é claro. Não sabia nada sobre a magia da garota, mas sabia que ela nunca seria capaz de pagar a dívida, a não ser que trabalhasse para ele. Seus primeiros meses no bordel foram assustadores. Podia dizer que foram os piores de sua vida, mas todos os meses, todos os anos depois deles foram iguais. Ela apenas se acostumou. Sentia-se como um objeto, enojada, consigo mesma e com os clientes. Tinha que sorrir e dançar, ser agradável, enquanto tudo que queria fazer era chorar. Com o tempo, tornou-se indiferente. Não sentia mais quando eles a tocavam, e passava o dia inteiro em uma apatia para o resto do mundo, a não ser que se tratasse de fingir para a irmã que tinha um emprego e casa decente. A noite, a apatia continuava presente, mas ela exibia um sorriso no rosto e fazia tempo que os gemidos que escapavam de seus lábios não eram falsos. Mantinha a varinha sempre perto de si, por proteção, mas não se lembrava de como era os corredores de Hogwarts, ou de como a risada de Boyd soava em seus ouvidos. Desconectara-se de tudo que a ligava a antiga Dominique. A Dominique que ria simplesmente por achar algo engraçado, que existia. A que era de verdade.
Player: Is.
Dominique Flaherty | Former Gryffindor | Muggleborn

"You never get over it. But you get to where it doesn’t bother you so much."

Nacionalidade: Inglesa.

Varinha: Cipestre, corda de coração de dragão, 33cm.

Patrono:Tigre. 

Ocupação: Garota de Programa.

History

Seres humanos gostam dividir suas vidas durante o decorrer delas. Um marco normalmente é escolhido por marcar profundamente uma civilização, ou até mesmo o mundo inteiro. Era assim com a invenção da escrita, que separava a pré-história da história real, ou o nascimento de Cristo, que separava os anos em a.C e d.C. Em 1947 – depois de Cristo – nasceu uma garota que não a graduação da faculdade como grande marco de sua vida. Ou o casamento. Ou qualquer outra coisa que normalmente marcava a vida das pessoas. O grande marco da vida de Dominique era a gravidez. O antes e o depois eram tão incrivelmente diferentes que ela não podia acreditar que aquilo era a vida de uma pessoa só.

Antes da gravidez, ela era uma pessoa normal. Era um bebê normal. Sua primeira palavra foi “papá”, e embora o homem insistisse alegremente que ela queria ter dito papai, a criança provavelmente estava pedindo por comida. Caiu muitas vezes antes de conseguir um andar bambo, e, mais tarde, ela tentaria se lembrar de como podia ser tão fácil se reerguer depois de um tombo. Seu pai era um homem importante no mundo de ações, e, embora carinhoso, era um grande defensor dos bons costumes. No entanto, Dominique não seguia o padrão de feminilidade que seu pai esperava que ela tivesse. Escalava árvores, jogava bola com os garotos de sua rua, sempre voltando com os joelhos ralados e terra embaixo de suas unhas para casa. Ela tinha a mania de achar que não tinha um limite. Toda vez que alcança um galho, se convencia de que podia alcançar o seguinte. Foi com essa mentalidade que chegou ao topo de uma árvore na fazenda de seu avô. Uma árvore alta demais para uma criança de sete anos escalar. Sentiu o desespero se estabelecer no seu corpo rapidamente, as lágrimas queimando nos lados dos olhos ao perceber que não sabia como descer, e não tinha como chamar alguém. O terreno era grande demais, e ninguém a escutaria. Só havia um jeito de descer. Se ela fosse um pouco mais racional, ou mais velha, não teria feito isso. Mas era uma criança, e ainda sentia-se invencível. Ajeitou-se no lugar, apenas para escorregar para fora do galho, sem nem sequer se preocupar em olhar para baixo mais uma vez. Chegou à conclusão que iria doer quando acertasse o solo, mas, felizmente, nunca descobriu como seria a dor. A gravidade pareceu trabalhar a seu favor, e ela flutuou tranquilamente até alcançar o chão. Manteve a magia em segredo, usando-a em suas brincadeiras. A primeira pessoa para quem contou – ou melhor, para quemmostrou – foi sua mais nova irmã. Isil entrou na sua vida quando tinha dois anos, e ela nove, e embora a mais nova não entendesse o que significava a palavra magia, ela com certeza entendia que o fato de sua irmã ser capaz de flores levitarem não era comum. Tornou-se incrivelmente próxima a garota, feliz por ter uma amiga que dormia no quarto do outro lado do corredor, mesmo com a grande diferença de idade. Achava sua habilidade, seu super poder, como gostava de chamar em sua cabeça, algo incrível, mas não achou que iria causar grande mudanças em sua vida. Continuou indo à escola e aprendendo matemática e tendo que comer os legumes nas refeições. Achou que seria assim até completar os 18 anos e se formar. A carta de Hogwarts não mudou o aspecto da formatura, mas não era a chegada da carta que ela usava como grande marco em sua vida.

Seus pais pareciam céticos, a princípio. Magia não é real, diziam, e para eles realmente não era. Quem os convenceu foi Isil, contando sobre os poderes da irmã. Seu pai parecia orgulhoso de ter uma filha tão especial, e até mesmo adiou um compromisso de seu emprego para levá-la a estação de trem. O chapéu seletor bradou Gryffindor sem sequer ponderar, e ela sentiu-se acolhida na casa dos leões. Antes de voltar para escola,recebeu a mesma carta que deveria sempre receber, mas com um peso extra. O distintivo de monitora causou um sorriso no seu rosto, e por mais que ela não fosse exatamente a pessoa mais correta que conhecesse, ela se esforçou tremendamente para ser boa em seu cargo. Isso incluía brigar com os alunos que pareciam achar que o toque de recolher não tinha que ser respeitado. Em uma das brigas, já na segunda semana de seu quinto ano, conheceu o primeiro garoto que amara. O primeiro garoto que beijara, que dormira com, o primeiro garoto que a fazia chorar, e o primeiro garoto que destruíra sua vida. Eles eram todos a mesma pessoa, e ela se odiava por sentir tanto por uma pessoa só. O relacionamento foi apaixonado, incrível e rápido. Acabou mais rapidamente do que começou. Já estava preocupada no começo de dezembro. Fazia as contas, e a prova de que não estava grávida deveria vir na primeira semana do mês. Não veio. Foi para casa no feriado de Natal, e durante a primeira semana de janeiro, também não veio. Fez a pior decisão de sua vida – ou a segunda pior, visto abrir as pernas para Boyd era a primeira – e foi contar para seu pai. Esperava por alguma forma de consolo, uma promessa de que tudo ficaria bem. As palavras de seu pai doeram mais do que o tapa que levou no rosto. Cerca de cinco minutos depois de proferir a palavra “grávida”, estava expulsa de casa, e, de acordo com o pai, ele faria que ela não fosse permitida a voltar para a escola. Imaginou que a queda da árvore que nunca aconteceu era uma ótima comparação para a situação que se encontrava. A adrenalina fora tanta perto de Boyd, pela forma que ele a fazia se sentir, física e mentalmente, que ela nem mesmo esquecera que estava caindo. Mas toda queda tem um fim, e ela atingiu o chão com uma força tão tremenda que duvidava que conseguira se levantar.

Foi quando conheceu Logan. Era mais velho, mais experiente. Tinha seu próprio negócio, ele lhe contara. E conhecia diversas garotas exatamente como ela, toda esperança que uma vez existia no olhar substituída por dor. Podia ajudar, mas ela teria que pagar, assim que fosse velha o suficiente para trabalhar. Tinha dezesseis anos. Em julho, deveria estar em casa, esperando pelos resultados de seus N.O.M.’s nervosamente, e todos os seus amigos estavam. Ela se encontrava em um quarto de hospital, os gritos ecoando pelo andar e as lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos, seu corpo frágil demais para suportar um parto sem causar-lhe grande dor. Uma enfermeira que ela conhecera no mesmo dia segurava sua mão, enquanto Dominique esmagava-a. Não falava com seu pai fazia 7 meses. Não recebera uma carta de Boyd, embora não o culpasse. Ninguém sabia o endereço que ela se encontrava, e ninguém se importava o suficiente para procura-la. Ela nem sequer pegou seu bebê no colo, balançando a cabeça vigorosamente quando a enfermeira tentou entrega-lo. Não iria mantê-lo, de qualquer forma. Nunca seria sua mãe. No entanto, não resistiu a ir até o berçário, procurando pelo menino que seria o seu, e sentiu um aperto no peito quando não conseguiu reconhece-lo. Sentiu também o olhar do casal que estavam olhando sua menina, e sabia que eles estavam rezando para que a filha deles nunca chegasse ao ponto que ela chegara. Passou mais dois anos morando de favor com Logan, e foi perto de seu aniversário de 18 anos que descobriu que ele não era tão honroso como falava. Descobriu quanto estava devendo, e era mais que ela jamais conseguiria arrecadar sem uma formação, trouxa ou bruxa. Logan sempre soubesse disso, é claro. Não sabia nada sobre a magia da garota, mas sabia que ela nunca seria capaz de pagar a dívida, a não ser que trabalhasse para ele. Seus primeiros meses no bordel foram assustadores. Podia dizer que foram os piores de sua vida, mas todos os meses, todos os anos depois deles foram iguais. Ela apenas se acostumou. Sentia-se como um objeto, enojada, consigo mesma e com os clientes. Tinha que sorrir e dançar, ser agradável, enquanto tudo que queria fazer era chorar. Com o tempo, tornou-se indiferente. Não sentia mais quando eles a tocavam, e passava o dia inteiro em uma apatia para o resto do mundo, a não ser que se tratasse de fingir para a irmã que tinha um emprego e casa decente. A noite, a apatia continuava presente, mas ela exibia um sorriso no rosto e fazia tempo que os gemidos que escapavam de seus lábios não eram falsos. Mantinha a varinha sempre perto de si, por proteção, mas não se lembrava de como era os corredores de Hogwarts, ou de como a risada de Boyd soava em seus ouvidos. Desconectara-se de tudo que a ligava a antiga Dominique. A Dominique que ria simplesmente por achar algo engraçado, que existia. A que era de verdade.

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